Terça-feira, 28.07.15

Pesquisadores de Israel encontraram evidências de que a agricultura pode ter surgido há 23.000 anos e não há 12.000 anos, como se acreditava. De acordo com um estudo publicado na última semana na revista Plos One, a origem da revolução promovida pela atividade agrícola, que deu início à civilização como conhecemos, pode precisar ser recalculada. Com a agricultura surgindo mais cedo, o estabelecimento de assentamentos humanos também deve ser mais antigo do que se imaginava.

A descoberta foi feita em um assentamento na Galileia, no norte de Israel, na região conhecida como Crescente Fértil, no Oriente Médio, considerada o "Berço da Civilização". Ali, os nômades se tornaram sedentários e se estabeleceram em comunidades agrícolas. Em 1989, uma seca revelou Ohalo II, um sítio arqueológico onde viveram caçadores, pescadores e agricultores há 23.000 anos. Foi nesse lugar que o grupo interdisciplinar de arqueólogos, botânicos e ecologistas das universidades israelenses de Bar-Ilan, Haifa e Tel Aviv, em parceria com a americana Harvard, encontrou cevada e trigo cultivados de 23 000 anos. A presença dos vegetais do tipo cultivado é maior que o selvagem, de acordo com as técnicas de análise genética empregadas pelos cientistas.

Eles também encontraram grande quantidade de ervas daninhas do mesmo período, plantas que só crescem em campos cultivados pelo homem. Além disso, foram catalogadas ferramentas como foices e raspadores de sílex usados para cortar e colher cereais que, segundo estudos anteriores, só tinham sido vistas 11.000 anos depois.

"Todas as descobertas deste lugar refletem o quão sábias eram as pessoas há 23.000 anos", disse o professor Ehud Weiss, do Departamento de Estudos da Terra de Israel e Arqueologia da Universidade Bar-Ilan e um dos autores do artigo.

Tentativa de cultivo - Contudo, os pesquisadores se mostram cautelosos na hora de cravar a data do começo da agricultura e classificam a descoberta como uma "tentativa de cultivo".

"Segundo as evidências, podemos garantir que começaram a cultivar cereais, mas aparentemente não foi um evento que se prolongou no tempo e existe uma lacuna de mais de 10.000 anos de quando tudo começou do zero e até a ação bem-sucedida", definiu Weiss.

As transformações promovidas pela agricultura não mudaram apenas a sociedade, mas o planeta como um tudo, e acredita-se que tenha promovido o desenvolvimento e surgimento das propriedades e das cidades. "Ela influenciou o aparecimento de tecnologia porque o ser humano dispôs de mais tempo livre para se dedicar a outras atividades (como as intelectuais)", explicou o professor.

 fonte:http://planetasustentavel.abril.com.br/
 
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Oxitec planeia libertar 5000 moscas GM por semana perto da cidade de Tarragona. ”Libertar insetos geneticamente modificados no ambiente é uma experiência perigosa que, na prática, irá transformar toda a Europa num laboratório ao ar livre”, alerta Janet Cotter, do Greenpeace Internacional.

 

Segundo avança um comunicado publicado no site da Plataforma Transgénicos Fora, subscrito por organizações ambientais de Espanha, Portugal, Grécia, França, Bruxelas, Itália e Alemanha, o ensaio de campo, que se prevê durar um ano, irá abranger uma área de 1000 m2 coberta por rede.

Os insetos são geneticamente manipulados por forma a que as larvas fêmea morram no interior das azeitonas, enquanto que os machos sobrevivem, contudo, se as moscas escaparem, elas poderão multiplicar-se sem qualquer controlo.

A intenção da Oxitec é que as moscas transgénicas macho se cruzem com as moscas fêmea nativas, diminuindo assim as populações de mosca da azeitona nativas e, consequentemente, o risco de prejuízo económico inerente a esta praga na produção de azeitona e azeite.

“Se a tecnologia for implementada tal como planeado pela Oxitec, ela poderá, ao fim de bastante tempo, conduzir à diminuição desta espécie de mosca nas áreas afectadas”, refere o documento, que alerta que “a biodiversidade pode ser severamente prejudicada, com todas as potenciais consequências e efeitos colaterais no equilíbrio complexo dos ecossistemas, no ambiente e nos sistemas de produção”.

Por outro lado, “existe uma elevada probabilidade de que os transgenes artificiais acabem por se incorporar de forma permanente nas populações nativas”, sendo que, “embora a Oxitec afirme que as suas estirpes são geneticamente estáveis em laboratório, ninguém pode prever a estabilidade genética ou o comportamento ecológico desses insetos uma vez libertados no ambiente”.

”Libertar insetos geneticamente modificados no ambiente é uma experiência perigosa que, na prática, irá transformar toda a Europa num laboratório ao ar livre. Os insetos não respeitam as fronteiras e nenhuma esterilidade é 100% eficaz. Podem escapar-se das áreas experimentais e se, como é frequente, as coisas não correrem de acordo com o planeado, será impossível terminar e conter o ensaio. E qualquer tentativa de controlo ou remoção dos insetos geneticamente modificados seria impossível, ainda mais do que no caso de plantas transgénicas”, vinca a Dra. Janet Cotter, da Unidade Científica do Greenpeace Internacional.

Já Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos, afirma que: "Não devemos tolerar experiências irresponsáveis que se traduzirão inevitavelmente na libertação acidental de animais transgéncios no ambiente. Com os ecossistemas planetários já sob stress, qualquer dano adicional irreversível é inaceitável. Para além disso, nenhum consumidor deseja comer azeitonas recheadas com larvas GM. É tempo de se investir em meios de proteção das culturas que sejam holísticos, sustentáveis e conjuguem os objetivos de consumidores e agricultores.”

Também Victor Gonzálvez, da SEAE (Sociedad Española para la Agricultura Ecológica), refere que "A Espanha é o maior produtor mundial de azeite biológico, com uma área de 170 000 hectares. Se as azeitonas de alguma forma entrarem em contacto com as novas larvas GM os produtores biológicos podem perder a certificação e os consumidores podem perder a confiança na agricultura biológica. Além disso,o impacto da saúde humana não foi devidamente avaliado.”

“Esta tecnologia parece ter o potencial de pôr em perigo a biodiversidade, a agricultura biológica e o futuro da produção de azeitona e azeite na região mediterrânica. Presumimos que esta experiência está a ser desencadeada pelo interesse da Oxitec e dos seus investidores em tirar o máximo lucro desta tecnologia patenteada”, diz, por sua vez, Cristoph Then, da Testbiotech, frisando que “É tempo de dar um sinal claro de que estes organismos não devem ser libertados. Em lugar algum. Nunca.”

No comunicado é assinalado que “não é ainda claro se os ensaios foram já autorizados pelas autoridades espanholas” e que, “se o foram, trata-se da primeira libertação de animais GM na UE desde sempre”.

“Em 2013, o primeiro pedido da Oxitec para levar a cabo ensaios de campo em Espanha foi retirado após protestos públicos. O recente pedido foi feito em Março de 2015. No entanto, só apareceu no registo público da União Europeia na semana passada. O início da libertação está previsto para este mês de Julho de 2015”, referem as organizações ambientais.

fonte:http://www.esquerda.net/ar

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Com 1.616 unidades produtivas e 26 mil hectares de áreas cultivadas, Mogi das Cruzes se destaca no cenário nacional pela expressiva plantação de caqui, orquídeas, cogumelo, nêspera, hortaliças e ovo de codorna. Com o avanço tecnológico dos últimos anos e a chegada de uma faculdade de agronegócios na Cidade, a aposta do setor está no aperfeiçoamento técnico e de gestão, para melhorar a competitividade, reduzir custos e aumentar a produtividade. 

Hoje é comemorado o Dia do Produtor, em função da fundação do Ministério da Agricultura, há 55 anos, pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek. Para celebrar a data, a reportagem de O Diário conversou com pessoas ligadas ao setor que traçaram o perfil produtivo da Cidade a avaliaram os rumos da atividade para os próximos anos.

O secretário municipal de Agricultura, Oswaldo Nagao, fala que além de darem continuidade ao trabalho iniciado pelos pais e avós, os novos produtores de Mogi buscaram se especializar para aprimorar o negócio da família. “Há muitos filhos de agricultores virando agrônomos, agrotécnicos, veterinários, administradores, economistas. Esse pessoal hoje tem uma formação acadêmica muito maior e está trazendo a tecnologia e o sistema de gestão para o campo”, destaca o secretário.

Esse profissional especializado nem sempre suja as mãos de terra, mas é igualmente imprescindível para o aperfeiçoamento da produção e sobrevivência do negócio. “Antigamente, o produtor de alface colhia três safras por ano. Hoje, ele já produz seis, sete ou oito safras por conta da tecnologia, da gestão inovadora”, comenta Nagao. Soma-se a isso o esforço feito por fornecedores de insumos para capacitar os agricultores e divulgar as mais recentes descobertas, além da exploração, em algumas propriedades, do turismo rural. (Danilo Sans)

fonte:http://odiariodemogi.inf.br/

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Domingo, 26.07.15

Nos últimos 40 anos, a área plantada no Brasil aumentou 78%. Em contrapartida, o uso de agrotóxicos subiu 700%, afirma a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O excesso de agrotóxico aplicado sem controle pode  provocar sérios danos à saúde de quem consome o alimento produzido nestas condições e também do agricultor, que aplica o produto no campo.

Os chamados defensivos agrícolas são aplicados em várias situações. Para matar as pragas, como insetos e larvas, o agricultor usa o inseticida. Já o herbicida é usado para eliminar as plantas daninhas e o mato. Para tratar doenças o indicado é o fungicida. Mas o produtor rural não espera todos esses problemas aparecerem na lavoura para começar a aplicar o agrotóxico.

“O ideal seria que o uso fosse o mínimo. Hoje é feito o calendário específico, tantas vezes de inseticida, tantas vezes de fungicida. Mesmo se não precise”, aponta o fiscal de defesa agropecuária Ney Omar Heiden do Araújo.

Para que possam ser comercializados, os defensivos passam por análise e só depois recebem autorização para venda. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia o dano à saúde, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) analisa os efeitos no meio ambiente e o Ministério da Agricultura confere a qualidade do produto. Além disso, no Paraná, as revendas precisam do registro da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Riscos à saúde
A intoxicação pode provocar sintomas aparentes como convulsão, vômito e desmaios. Já a crônica é mais perigosa. “É aquela silenciosa. Já existem estudos sobre o indivíduo que ano após ano consumindo isso apresenta problemas de esterilidade e alteração de comportamento”, explica a médica Lilimar Mori.

A maioria dos casos de intoxicação não acontece na lavoura, mas antes, quando o agricultor prepara o veneno. Por isso a importância do uso de equipamentos de segurança. Quando falta consciência o resultado é a contaminação.

“Há uns 6 anos eu senti dor de cabeça e ânsia de vômito. Minha esposa teve que me levar ao hospital. É raro você ver o pessoal usar equipamento de segurança”, comenta o produtor rural Cláudio Almeida.

Conscientização
A produção de alimentos em grande escala, apontam os agricutores, ainda exige o uso de agrotóxico. “Você não consegue mais hoje produzir nesses níveis grandes sem usar o agrotóxico. O próprio sistema está exigindo”, aponta o fiscal de defesa agropecuária.

“Nós precisamos produzir, mas nós não precisamos produzir doença por causa desse ganho”, completa a médica Lilimar ao alerta para a necessidade da conscientização no uso deste tipo de produto.

fonte:http://g1.globo.com/pr

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Sábado, 29.11.14

Os agricultores portugueses são os mais idosos da União Europeia. Um facto que não é novo, mas que vem agravando. Em 2009, a idade média do produtor agrícola português era de 63 anos e o ano passado estava já nos 64. Pior, mais de 52% dos agricultores têm uma idade igual ou superior a 65 anos. E esta é uma atividade maioritariamente a cargo dos homens (68,3%), diz o Instituto Nacional de Estatística.

Os dados fazem parte do 'Inquérito à estrutura das explorações agrícolas 2013', hoje divulgado, e mostram que só 6,2% dos produtores agrícolas vivem exclusivamente desta atividade em Portugal. "Em contrapartida, em 81,1% dos agregados domésticos do produtor o rendimento provém maioritariamente de origens exteriores à exploração, designadamente de pensões e reformas (65,3%)", destaca o INE. Apesar disso, a grande maioria dos produtores tenciona continuar com a atividade agrícola nos próximos anos.

Uma decisão que é independente da dimensão económica da exploração e da sua localização. "De facto, apesar de um número significativo de pequenos agricultores terem abandonado a atividade desde 2009, 95,1% afirmaram que preveem continuar com a atividade da exploração nos próximos dois anos", sublinha a nota do INE, explicando que os principais motivos apontados para a continuidade "são o valor afetivo (48,3%), o complemento ao rednimento familiar (31,4%) e a ausência de alternativas profissionais (9,9%)". Só 8,6% dos agricultores referem a viabilidade económica.

Saiba, ainda, que apesar da "empresarialização" da agricultura a que se assistiu nos últimos anos - "expressa pelo crescimento do número de sociedades agrícolas" - apenas um quarto do volume do trabalho é contratado a mão de obra assalariada. Todo o resto assenta na população agrícola familiar. Aliás, só em 7,9% das explorações, ou seja, em 20,7 mil propriedades agrícolas, é que há trabalhadores permanentes, num total de 60,5 mil indivíduos.

Assiste-se, também, a um aumento da dimensão das explorações agrícolas e a uma melhoria dos indicadores laborais, refere o INE, que contabiliza 264,4 mil explorações agrícolas em Portugal em 2013, menos 40,8 mil do que em 2009. A superfície agrícola utilizada (SAU) manteve-se nos 3,6 milhões do hectares (39,5% da superfície territorial), o que se traduziu no aumento da dimensão média das explorações dos 12 hectares em 2009 para os 13,8 hectares em 2013. Número que se aproxima já da média comunitária e que é de 14,4 hectares por exploração.

Salienta, ainda, o INE que a "empresarialização da agricultura" tem contribuído para o aumento da eficiência do sector, "devido à adoção de processos de gestão mais profissionais e economias de escala". Há cerca de 10 mil sociedades agrícolas em Portugal e que, embora representam apenas 3,8% do total das explorações, "gerem quase um terço da superfície agrícola utilizada e praticamente metade do efetivo pecuário".

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

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Sábado, 18.10.14

Com o regime de IVA Forfetário, inscrito na proposta de Orçamento do Estado para 2015, será possível aos pequenos agricultores recuperar 6% deste imposto pago ao longo do ano.

Está previsto que os produtores agrícolas, que tenham um volume de negócios inferior a 10 mil euros/ano possam optar pelo regime forfetário do IVA.

Estes pequenos agricultores não estão abrangidos pelo regime de IVA, mas desta forma podem ser reembolsados desse imposto quando adquirirem equipamentos e bens ligados à sua actividade.

De acordo com a proposta do OE 2015, os agricultores vão poder pedir à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) "uma compensação calculada sobre o preço" de bens e serviços agrícolas, que será feita "mediante a aplicação de uma taxa de 6% sobre o total das vendas e das prestações de serviços", adianta o documento.

Para tal, os agricultores terão de enviar à AT, até ao dia 30 de Abril do ano seguinte àquele em que foram realizadas as vendas, um pedido no qual deve constar o valor anual das transmissões de bens e prestações de serviços que conferem o direito a receber a compensação, acompanhado dos números de identificação fiscal dos seus clientes.

O montante calculado pela AT deve ser restituído num prazo de 180 dias.

A ministra da Agricultura, Assunção Cistas, considera que a nova medida é "um aspecto muito relevante" no âmbito do sector agrícola, mas que "terá um impacto pequeno" nas receitas para o Estado, uma vez que se trata de pequenos agricultores.

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Segunda-feira, 18.08.14

Os agricultores da União Europeia vão receber um total de 125 milhões de euros em ajudas para minimizar as consequências do embargo russo, avançou a Comissão Europeia.

Tomate, couve-flor, cogumelos, uvas, pepinos e outros produtos da época estão incluídos na medida que entra esta segunda-feira em vigor. 

O valor é retirado da Política Agrícola Comum (PAC), que inclui uma reserve de emergência de 420 milhões de euros.
 
“Com efeito a partir de hoje, acciono as medidas de emergência da PAC que vão reduzir a oferta global do número de frutas e vegetais nos mercados europeus até aos próximos meses, quando a pressão dos preços se tornar demasiado grande”, adiantou Dacian Ciolos, comissário para a Agricultura. 

“Todos os agricultores dos produtos em causa são elegíveis para receber estas medidas de apoio aos mercados”, acrescentou em comunicado. 

As medidas tencionam reduzir algum do excesso de produtos no mercado, que antes iriam para as prateleiras russas. Através dos fundos, os produtores têm maior margem de manobra para retirar as frutas e vegetais do mercado ou para nem proceder à colheita.

A Rússia declarou um embargo com a duração de um ano à carne, peixe, lacticínios, frutas e vegtais oriundos dos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Austrália e Noruega, como uma retaliação às sanções ocidentais sobre as acções de Moscovo na Ucrânia.

fonte:http://rr.sapo.pt/i

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Domingo, 30.03.14

Nas maternidades da Herdade da Susalva, perto de Salvaterra de Magos, os guinchos dos leitões recém-nascidos são ensurdecedores. Ao lado de cada uma das gigantescas progenitoras - cada porca reprodutora pode chegar aos 300 quilos - está pelo menos uma dezena de crias. Nesta exploração existem 500 reprodutoras e, por ano, saem dali 14 mil porcos.

"Em média, cada reprodutora tem 26,8 leitões. Em 1986, quando comecei a empresa, a média não ia além dos 20 leitões por porca", contabiliza Pedro Garcia de Matos, administrador da Euroeste, empresa 100% portuguesa que anualmente produz para cima de 350 mil porcos.

"Diferenciamo-nos pela dimensão. Não se encontra na Europa outra companhia como a nossa. São todas microempresas, a produção está muito pulverizada", conta o empresário, que fundou em 1986 uma empresa que fatura, atualmente, €124 milhões.



fonte: http://expresso.sapo.pt

publicado por adm às 20:48 | link do post | comentar | favorito

Associado a épocas festivas, como o Natal, o pinhão mantém-se afastado da mesa dos portugueses no resto do ano devido ao preço, mas os industriais do sector acreditam que pode ficar mais barato com a descida do IVA.

Falta, no entanto, perceber se a descida de 23% para 6% da taxa de IVA dos frutos secos com casca rija se aplica ao miolo de pinhão, uma dúvida que os industriais pediram às Finanças para esclarecer, há três meses, e para a qual continuam a aguardar resposta.

"Ninguém nos diz se o pinhão é [taxado] a 6% ou a 23%. Claro que se [o IVA] for de 6% e começarmos a facturar a 6%, isso vai baixar os preços do pinhão. Mas também é um risco estarmos a facturar a 6% e virem depois dizer que afinal é 23%", disse à Lusa o presidente da Associação dos Industriais de Miolo de Pinhão (AIMP), Hélio Cecílio.

Sem certezas, as empresas estão a atrasar a facturação.

"A minha fábrica, neste momento, está a deixar de facturar porque não temos a certeza se é a 6% ou a 23% e não há ninguém nas Finanças que interprete a lei", desabafa o industrial, enquanto guia os jornalistas pela fábrica Cecílio, uma empresa sediada em Coruche e que produz pinhão há mais de meio século, facturando cerca de 7 milhões de euros por ano.

Mas este não é o único factor que explica o elevado custo do pinhão. E talvez o mais importante seja até a falta de matéria-prima que, nos últimos anos, tem sido "notória".

"Como há pouca matéria-prima, o preço do produto sobe, porque não há", justifica Hélio Cecílio.

O pinhão, cujo preço médio à saída da fábrica nos últimos dez anos, rondava os 30 euros por quilo, disparou no ano 2013/2014 para os 45 euros por quilo, o que representa uma subida de 14%.

Para os consumidores, chega a custar o dobro.

A apanha, que continua a ser essencialmente manual, implicando despesas elevadas com a mão-de-obra, e as margens de comercialização, que Hélio Cecílio considera "exageradas", também ajudam a explicar porque é que o pinhão vale ouro.

O pinhão é encarado pelos supermercados e grandes cadeias de distribuição como um produto sazonal, que ajuda a melhorar as margens, mas o responsável da fábrica Cecílio entende que todos teriam a ganhar se os preços baixassem.

"Penso que se baixassem mais o pinhão venderiam mais e seria melhor para todos", sublinha.

Com um valor estimado de 75 a 80 milhões de euros por ano, considerando o preço médio de 30 euros pagos por quilo nos últimos dez anos, o negócio parece ser atractivo e a área de pinheiro-manso tem crescido, por vezes à custa do sobreiro.

"Em anos normais, estamos a chegar a conclusão de que o pinheiro é mais rentável do que a cortiça porque dá todos os anos enquanto o sobreiro só dá de nove em nove anos. Julgamos que há uma valorização para quem optar pelo pinheiro manso", afirmou o responsável da AIMP.

Mas as pinhas não têm sido suficientes para satisfazer a procura, mesmo numa "zona de excelência" como a mancha verde que se estende entre Ponte de Sor, Mora, Coruche, Vendas Novas e Alcácer do Sal, onde não se conseguiu comprar "nem uma pinha este ano".

Hélio Cecílio atribui responsabilidades à praga de Leptoglossus occidentalis, um insecto proveniente dos Estados Unidos e que já fez estragos em Itália, e reclama "uma investigação a sério" ao problema: "Devia ser feita uma investigação a sério (...) e ver o que realmente é: se foi o 'Leptoglossus' ou se foram razões climáticas que deram origem a estes três anos sem pinhas".

Para 2015 perspectiva-se um bom ano, até mesmo "extraordinário", desde que "as pinhas não se estraguem", por ataque de doenças ou falta de chuva.

A produção média de pinha ronda as 80 mil toneladas (que dão entre 2 a 2.500 toneladas de miolo de pinhão branco), mas esta é "uma indústria de risco" em que os resultados não são iguais todos os anos.

"Temos anos em que ganhamos dinheiro, mas temos anos, como este que passou, em que o rendimento das pinhas foi tão baixo que todos nós perdemos muito dinheiro", nota o presidente da AIMP.

A indústria exporta cerca de 90% da produção, sobretudo para Itália, onde o pinhão é essencial na cozinha tradicional, mas tem de competir com outros países produtores, como Espanha, ao nível da compra da matéria-prima, "porque não há que chegue".

O pior, no entanto, é a concorrência asiática, que leva o pinhão chinês e paquistanês até aos consumidores a um preço muito mais baixo.

Hélio Cecílio alerta, contudo, para as exigências de qualidade alimentar que "não dão confiança ao consumidor" e não tem dúvidas sobre qual agrada mais:

"O gosto não tem nada a ver. O nosso tem aquele gostinho, aquele perfume do pinheiro e da floresta..."

fonte:Lusa/SOL

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Domingo, 23.03.14

A pegada hídrica é um indicador que pode ajudar a população a entender como os hábitos de consumo são corresponsáveis pela crise hídrica no mundo e que a preservação da água pode ir muito além de apenas fechar a torneira em casa. O conceito é explicado pelo coordenador do Programa Água para a Vida da organização não governamental (ONG) WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas.

Segundo Kimura, dados da Agência Nacional de Água (ANA) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que, via de regra, a agricultura é a maior usuária de água do mundo, seguida pela indústria. Depois é que vem o uso doméstico.

"O consumo tem tudo a ver com a água. A pessoa não associa que a água é usada na produção do alimento que ela ingere, da roupa que ela veste ou da caneta que ela compra. Neste sentido, a pegada hídrica é um conceito muito pedagógico", explica Kimura.

O conceito de pegada hídrica surgiu na Holanda, no final dos anos 2000, e é um indicador do uso da água, que define o volume total de água doce que é usado para produzir os bens e serviços consumidos pelo indivíduo, comunidade ou empresas.

"Muitas pessoas se assustam quando descobrem que para aquele quilo de carne vermelha que comprou no mercado, em países da Europa, gastam-se até 15 mil litros na produção, ou 130 litros para uma xícara de café. Muitos números que estão embutidos na cadeia de produção foram colocados nessa pegada", destaca Kimura.

Segundo o especialista, o conceito tem um caráter mais educativo para o cidadão, mas, para o setor empresarial, é uma questão de regulação e incentivo. "Se você compra aquela camisa de algodão que foi feita no Paquistão, aquela água deixou de abastecer comunidades carentes na região. A questão é a ética do consumo, saber onde foi produzido, quais os recursos utilizados e tentar avaliar o uso da água nesse caso. Quanto mais você consome bens materiais, mais está colaborando com o uso da água no mundo."

Kimura explica que algumas indústrias já estão começando a ficar conscientes dos riscos para a água e estão quantificando sua pegada hídrica, buscando saber onde estão os gargalos na cadeia produtiva. No 29 deste mês, o WWF promove a Hora do Planeta, que é aquela hora em as pessoas apagam as luzes, desligam seus aparelhos e fazem uma reflexão sobre o meio ambiente e o planeta. "Queria sugerir, este ano, que as pessoas reflitam sobre o uso da água, sobre o que você, cidadão, está fazendo para contribuir com a preservação da água, seja se informando ou economizando." Agência Brasil

fonte:http://www.portugaldigital.com.br/

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