Empresa da zona do Oeste, que dá emprego a cerca de 800 pessoas, vai investir cerca de cinco milhões de euros nos próximos quatro anos para plantação de pomares
O verde-escuro das folhas da ameixoeira são um sinal de qualidade. José Paulo Duarte aponta para o pomar, com vista para a serra de Montejunto, e mostra as árvores carregadas de ameixas. O telemóvel não pára de tocar. Atende quase todas as chamadas, resolvendo problemas, dando indicações. O Grupo Paulo Duarte, fundado pelo seu pai em 1964 - o primeiro em Portugal a transportar vinho em cisterna - tem sete empresas de transportes, cerca de 800 trabalhadores, 550 viaturas, 550 reboques... e 72 hectares de pomares.
Aos camiões-cisterna juntam-se os tractores, as alfaias agrícolas, os armazéns de fruta. A aventura no sector agrícola começou há 15 anos com a compra da Abrunhoeste por 500 mil euros, em processo de insolvência. "Foi uma coisa que aconteceu naturalmente. Era uma cooperativa e teria falido se não tivesse sido comprada", conta José Paulo Duarte. A Abrunhoeste é uma organização de produtores e recebe os produtos de 23 agricultores da região. O ano passado facturou 4,2 milhões de euros e exportou 95 por cento da sua produção, que, no total, ronda as nove mil toneladas de fruta por ano. Gigantes como a britânica Tesco são clientes de peso, num negócio virado para fora de portas. A pêra-rocha, as maçãs, as nectarinas e as ameixas são vendidas para a Irlanda, Reino Unido, Brasil, França, Marrocos, Angola e, mais recentemente, alguns países da Escandinávia.
Procura pede investimento
A procura é tanta que o empresário prepara-se para investir mais na produção. O objectivo é passar dos actuais 72 hectares de plantação própria para 250 hectares nos próximos quatro anos, num investimento que pode chegar aos cinco milhões de euros (o valor só inclui os custos de implementação dos pomares). "A intenção é servir os mercados internacionais", explica.
A apanha da ameixa está prestes a começar e, em breve, os armazéns da Abrunhoeste estarão cheios de fruta. A estratégia é ter onze meses do ano de intensa actividade, lavando, embalando e distribuindo a fruta que chega dos produtores. "Queremos ter apanha durante todo o ano, parando apenas em Junho para manutenção e limpeza", adianta. Nas alturas de menor fluxo, alugam-se as câmaras frigoríficas a importadores de fruta estrangeira, em contra-estação.
A plantação de pomares é gerida pela Sociedade Agrícola Quinta de Malpique, criada há cinco anos. Foi crescendo à medida que José Paulo Duarte comprava ou alugava terras para plantar as árvores de fruto. "O investimento é muito grande e tem que se esperar anos - cinco no caso da pêra-rocha - até o fruto crescer e haver retorno. O risco é enorme e, por isso, há que valorizar os agricultores", defende.
Sector não desprestigia
Outra dificuldade do sector é a escassez de mão-de-obra. O empresário lamenta que "na cabeça dos portugueses ainda seja desprestigiante trabalhar na agricultura". Cerca de 90 por cento dos trabalhadores são estrangeiros (a maioria tailandeses) e ganham em média 35 euros por dia.
A aquisição, o ano passado, de 50 por cento da Confraria da Horta complementou a cadeia de produção: para além de plantar, colher, embalar e distribuir para os mercados internacionais, o Grupo Paulo Duarte passou a comercializar produtos hortícolas e frutas de cerca de 20 produtores locais em restaurantes e hotéis na zona da Grande Lisboa, Sintra e Zona Oeste. "É um complemento e há sinergias entre as empresas. A confraria comercializa mais de 200 produtos", afirma.
Contas feitas, o negócio da agricultura já pesa dez por cento na facturação da empresa que, o ano passado, teve receitas de 51,6 milhões de euros.
"Temos ganho dinheiro com a agricultura. É um negócio com futuro", defende José Paulo Duarte, confessando que tem "paixão pela terra" e que gosta de "ver nascer coisas". "O país precisa de investir em produção. Já chega de investir em apartamentos", remata.
fonte:http://economia.publico.pt/N