Sábado, 09.07.11

Sem euros portugueses para comparticipar o investimento europeu na agricultura nacional. Foi isso que a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, reconheceu hoje numa visita conjunta com o Presidente da República a duas herdades no distrito de Beja.

 

Durante uma visita ao maior produtor nacional de uvas de mesa, a Herdade Vale da Rosa, situada no concelho de Ferreira do Alentejo, a ministra do CDS admitiu a existência de “dificuldades” em assegurar a comparticipação nacional do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder). “A verdade é que, neste momento, estamos confrontados com a falta da comparticipação nacional no Proder”, afirmou antes de prometer “fazer todos os esforços” para conseguir “por o dinheiro da comparticipação nacional para poder alavancar os projetos” candidatados, “muitos” em condições de aprovação e outros já aprovados.

Depois da admissão das dificuldades, Cristas garantiu que o Governo “está a trabalhar” para que o próximo programa “tenha um desenho completamente diferente, muito mais simples, muito mais acessível, muito mais desburocratizado e muito mais próximo e amigo do agricultor”.

Cavaco Silva preferiu apelar à ”mobilização nacional a favor de mais produção” agrícola, que contribua “significativamente” para reduzir a dependência externa do país em matéria de agricultura.

Da actualidade, apenas uma fugidia referência às agências de rating. Depois de ter ouvido Rita Alcazar, dirigente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), elogiar as suas “mãos de biólogo” quando segurava num peneireiro-das-torres foi desafiado pelos jornalistas, que lhe perguntaram se a ave de rapina não lhe fazia lembrar as agências de rating: “ Um pouco”, anuiu o Presidente da República, que considerou as agências de notação norte-americanas como “uma ameaça à estabilidade da economia europeia”.

Palavras proferidas em Vale Gonçalinho, uma herdade propriedade da organização ambientalista LPN com cerca de 1.800 hectares de superfície.

Horas antes, na Herdade Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo, Cavaco Silva, deliciara-se com as uvas sem grainha que Silvestre Ferreira, produz em cerca de 100 hectares a par de outros 130 de uva de mesa com grainha. Foi aí que o Presidente da República a reforçou o seu apelo ao consumo produtos nacionais, depois do empresário ter descrito a dimensão do seu trabalho. Em 2010 produzira 4.500 toneladas de uva, e destas 1000 sem grainha. Emprego para mais de 500 pessoas no momento da colheita e a cerca de 300 em permanência, exportando para Angola, Noruega, Polónia. Luxemburgo, Inglaterra e França. 

Uma produção que rendera 6,5 milhões de euros no ano passo e que em 2011 o proprietário estima que chegue 7,2 milhões de euros. Cerca de 80 por cento da mão-de-obra é portuguesa, e vive num raio de 100 quilómetros. A empresa vai buscá-la de autocarro até Vila Verde de Ficalho. 

Exemplo para Cavaco Silva lembrar a contradição de Portugal transportar centenas de milhar de toneladas de fruta, quando existe Alqueva e uma extensa área onde podem ser produzidas os mais variados tipos de fruta. 

fonte:http://www.publico.pt/

publicado por adm às 19:02 | link do post | comentar | favorito
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