A ministra da Agricultura disse ontem em Serpa – onde inaugurou a chegada da rede eléctrica ao interior do concelho ao lado do presidente executivo da EDP, António Mexia – que o Governo está a preparar um relatório sobre os prejuízos da seca para entregar a Bruxelas já em Março. Assunção Cristas aponta o Conselho da Agricultura, no final do próximo mês, como sendo a instituição certa para pedir o auxílio para o sector. Entretanto, tal como as regiões mais afectadas, espera que a chuva chegue e minimize os estragos.
"É possível que chova e, se entretanto chover, as coisas podem-se alterar", declarou a ministra. Segundo Assunção Cristas, o primeiro relatório sobre os prejuízos da seca será conhecido já na próxima semana. "[No Conselho da Agricultura] podemos pedir já a hipótese de accionar mecanismos europeus, nomeadamente para antecipar ajudas", disse, afastando para já o cenário de calamidade pública, porque o Governo precisa de mais tempo para apurar os eventuais prejuízos.
Segundo a ministra, a ‘task force’ criada pelo seu Ministério está "a trabalhar intensamente para fazer o levantamento de tudo o que são os prejuízos da seca já existentes e aqueles que previsivelmente ocorrerão" a fim de poder "reunir com as organizações de agricultores para também trocar impressões com todos e já com o panorama do País mais explicado". "Não podemos simplesmente dizer a Bruxelas: não chove e temos prejuízos", considerou Assunção Cristas, que garante estar a acompanhar a situação de perto.
"Percebo a angústia de muitos agricultores, mas precisamos de ter os dados compilados para poder analisar a situação na sua totalidade", referiu.
Segundo a ministra, o Governo vai ainda pedir a Bruxelas flexibilização "do que for possível", como das regras das medidas agro-ambientais, para poder responder às situações.
ALDEIA REZOU NOVE DIAS PARA QUE CHEGUE A CHUVA
A aldeia de Corte de Sines, no concelho de Mértola, recorreu à fé divina para pedir aquele que por estes dias parece ser o bem mais precioso para aquelas gentes, a água da chuva. Toda a população saiu numa novena – nove noites seguidas – em procissão, para que a água caia do céu, ao longo da última semana. Sem pastagem para o gado, os agricultores locais estão a recorrer a rações, situação que começa a tornar-se insustentável a nível financeiro caso a chuva não volte brevemente.
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